O trabalho e a honra

Outro dia estava, em uma hora de lazer (cada vez mais raras), numa roda de amigos e falávamos sobre situações no trabalho. Estresses, adrenalina, situações tensas e situações engraçadas; sobre a importância do trabalho na vida do ser humano, não só para prover suas necessidades e realizar seus sonhos, mas para dar-lhe satisfação.

Foi quando surgiu não uma discussão, mas apenas uma controvérsia. Alguém disse que Fagner estava errado quando cantava, numa música de Gonzaguinha, que “sem o seu trabalho o homem não tem honra”. Vamos, agora, ver o vídeo e pensar sobre a palavra “honra” no contexto da letra da música:

Guerreiro Menino (Um homem também chora)

Gonzaguinha

 

Um homem também chora, menina morena;
Também deseja colo, palavras amenas.
Precisa de carinho, precisa de ternura;
Precisa de um abraço, da própria candura.

Guerreiros são pessoas; são fortes, são frágeis;
Guerreiros são meninos no fundo do peito.
Precisam de um descanso, precisam de um remanso;
Precisam de um sonho que os tornem perfeitos.

É triste ver este homem, guerreiro, menino,
Com a barra de seu tempo por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra,
A dor que traz no peito, pois ama e ama.

Um homem se humilha se castram seu sonho,
Seu sonho é sua vida e a vida é o trabalho.
E sem o seu trabalho, um homem não tem honra
E sem a sua honra, se morre, se mata.

Não dá pra ser feliz, Não dá pra ser feliz;
Não dá pra ser feliz, Não dá pra ser feliz.

Podem chamar de ranço machista, mas a velha frase “o trabalho dignifica o homem” continua verdadeira. Há coisa mais indigna do que não poder sustentar os filhos e a companheira (a mesma companheira que não poupa esforços e dá a vida para que seus filhos cresçam saudáveis)?

Não, ele não deixa de ter honra, pois continua com seus valores e sua moral, mas é considerado um fracassado pela sociedade que o rodeia. Deixa, sim, de ter dignidade, de se sentir digno. Há uma frase, dita por alguns homens paupérrimos e sustentados por programas sociais que diz muito sobre a fibra do homem brasileiro: “não, nós não queremos esmola, queremos apenas possibilidade de trabalhar e sustentar nossas famílias”. É a tal honra que a música fala. Esse homem não se sente bem de sustentar sua família com um dinheiro que não foi obtido com aquele suor do rosto, o mesmo desde o capítulo 3 de Gênesis.

Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará”.

Gênesis 3:19

Não se fala aqui de homem, elemento do sexo masculino, mas de gênero humano, homem e mulher. Uma mulher que sustenta seus filhos não quer esmola, mas a dignidade de poder trabalhar e suprir as necessidades dessas crianças e as suas próprias.

Então, por que os parasitas políticos continuam com seus privilégios e nada fazem (inclusive, parar de atrapalhar e sugar) para que o brasileiro (homem e mulher) tenha trabalho, como funcionários ou empreendedores e, dessa forma, deixem de depender de suas esmolas que fazem com que eles pareçam aquilo que sempre desejam parecer: “pais dos pobres”?

A resposta é que eles não querem que os miseráveis deixem de depender deles, porque miserável vai sempre votar em quem lhes prometa melhorar de vida. Se é que realmente acreditam nisso, mas pelo menos esperam acertar no voto.

Fariam muito se apenas não atrapalhassem o progresso, criando um Estado que não fosse parasita, ou seja, aquele Estado que toma os recursos dos cidadãos, não para retribuir esses recursos em serviços, mas para sustentar seu próprio peso, demonstrado em privilégios infindáveis.

É claro que dentre esses miseráveis há os que preferem viver na sombra de alguém que os sustente, mas não devem ser maioria e, mesmo pensando assim, a partir do momento em que, depois de várias tentativas de desenvolvimento profissional e de várias tentativas de encaixe, perdessem o sustento, por instinto de sobrevivência, seu e da família, mudariam de comportamento.

Lembrando novamente da Bíblia. Nela há uma oração, em Provérbios 30:

Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário. Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: ‘Quem é o Senhor? ’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus.”.

Como há os desonrados, que preferem viver à sombra dos outros, sem se importar se é honesto, ou não, fazer isso, também há os honrados que fazem questão de ter, com o seu honrado trabalho, o sustento para as suas necessidades, e as da sua família. Mas, quando não conseguem, apesar de todo esforço, se sustentar com o seu honrado trabalho, a solução é cantar a parte final da música: “não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz.”

2020-10-10 – Texto de Sergio de Souza

Referências, além das já citadas no texto:

2 comentários em “O trabalho e a honra”

  1. Há um código de lei no escotismo. A primeira lei diz que “o escoteiro tem uma só palavra e sua HONRA vale mais do que sua própria vida”. A palavra HONRA está associada à palavra VALOR. Quando valorizamos uma dívida, pagamos no vencimento, honramos a dívida. Honrar pai e mãe é valoriza-los. O trabalho, atividade com rendimento, dignifica, honra, valoriza o homem

    1. Verdade, cara amiga! Como sempre, seu comentário é preciso. O trabalho dos escoteiros é pouco valorizado e, pelo andar da carruagem, deve ter poucos candidatos, porque os preceitos ensinados estão “fora de moda”. Lá vem o Brasil descendo a ladeira.

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