Série: “Pavimentadores” – II
Um dos equívocos mais comuns na análise geopolítica e histórica é a tentativa de classificar regimes imperialistas como “nacionalistas” simplesmente porque utilizam retórica nacionalista ou incluem a palavra “nacional” em seus nomes ou slogans. Esse é o caso da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, sob o regime nazista. Embora o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) de Adolf Hitler incluísse a palavra “nacional” em seu nome, sua agenda era essencialmente imperialista, e não nacionalista no sentido defendido por pensadores como Yoram Hazony.
Além desse fato, há outro detalhe, mesmo negado por “especialistas” alemães da atualidade, sobre sua orientação/ideologia que era socialista, centralizando, como no Fascismo e no Comunismo, todo o poder e toda a iniciativa no Estado. Esses “especialistas” dizem que, apesar de usarem o vocábulo “Socialista”, sua orientação não o era. A esse respeito, veja nossas postagens anteriores:
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Diferença de Tratamento entre Comunistas, Socialistas e Nazistas
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A Alemanha nas duas Guerras Mundiais: Nacionalismo? Não! Imperialismo
- Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
A Alemanha do Kaiser Guilherme II não buscava, como dizia, simplesmente proteger sua soberania ou preservar sua cultura e tradições. Em vez disso, ela ambicionava expandir seu território e influência sobre outras nações, especialmente na Europa e em colônias africanas e asiáticas. O objetivo era estabelecer um império global (o chamado Weltpolitik), o que é incompatível com o conceito de nacionalismo como autodeterminação e respeito à soberania de outros povos e se encaixa muito mais nos conceitos de Imperialismo, ou seja, aumentar seus territórios, invadindo estados soberanos e subjugando-os. - Segunda Guerra Mundial (1939-1945)
O regime nazista, liderado por Adolf Hitler, é frequentemente citado como um exemplo de “nacionalismo extremo”. No entanto, sua agenda era claramente imperialista. O Terceiro Reich buscava conquistar e subjugar outras nações, impor sua ideologia racial e cultural, e estabelecer um domínio global. A ideia de Lebensraum (“espaço vital”) exemplifica essa mentalidade expansionista: a Alemanha não queria apenas proteger seu território, mas sim anexar e colonizar terras estrangeiras, especialmente no Leste Europeu. O uso da palavra “nacional” no nome do partido nazista foi, em grande parte, uma estratégia de propaganda para atrair apoio popular, aproveitando o sentimento de humilhação e injustiça que muitos alemães sentiam após o Tratado de Versalhes (1919). No entanto, o objetivo final do regime era a dominação imperial, não a preservação da soberania nacional ou da diversidade cultural.
A Distinção entre Nacionalismo e Imperialismo
Yoram Hazony, em “A Virtude do Nacionalismo”, faz uma distinção clara entre o nacionalismo legítimo e o imperialismo. O nacionalismo, em sua visão, é baseado no respeito à autodeterminação dos povos e na coexistência pacífica entre nações soberanas. Já o imperialismo busca subjugar outras nações, impor valores e estruturas políticas de fora para dentro, e expandir o poder de um Estado sobre outros.
A Alemanha das duas guerras mundiais, especialmente sob o regime nazista que, nominalmente nacionalista, era, na verdade, imperialista. O uso da retórica nacionalista foi uma ferramenta para mobilizar a população e justificar a expansão territorial e a dominação de outros povos. Essa falsa associação entre nacionalismo e imperialismo é frequentemente utilizada por grupos interessados em desacreditar o nacionalismo legítimo, confundindo-o com agendas de dominação e expansionismo.
Por que Essa Distinção é Importante?
A confusão entre nacionalismo e imperialismo serve a interesses ideológicos e geopolíticos específicos. Por exemplo:
- Críticos do nacionalismo frequentemente usam os exemplos da Alemanha nazista ou da Itália fascista para argumentar que o nacionalismo leva inevitavelmente ao conflito e à opressão. No entanto, isso ignora o fato de que esses regimes eram imperialistas, não nacionalistas no sentido autêntico.
- Defensores do Globalismo podem usar essa confusão para promover agendas que minam a soberania nacional, argumentando que o nacionalismo é uma ameaça à paz e à cooperação internacional. No entanto, como Hazony argumenta, “o nacionalismo legítimo é justamente o que permite a coexistência pacífica entre nações soberanas“.
Conclusão: Nacionalismo vs. Imperialismo
A falsa associação entre nacionalismo e imperialismo é uma distorção histórica e conceitual que serve a interesses específicos. A Alemanha das duas guerras mundiais, especialmente sob o regime nazista, não era nacionalista, mas sim imperialista. O nacionalismo, como defendido por Hazony e outros pensadores conservadores, é uma força que protege a soberania, a diversidade cultural e a liberdade dos povos, enquanto o imperialismo busca dominar e homogeneizar.
Comente, abaixo, se algum professor já quis te vender a ideia de que a Alemanha Nazista era um exemplo de “nacionalismo extremo”.
Bibliografia:
HAZONY, Yoram. A Virtude do Nacionalismo. Editora Record, 2020.
Lamentável é constatar através dos fatos e história a ginástica feita para não equiparar o grau de crueldade, ações criminosas, e atrocidades entre nazismo e comunismo. Mesmo que nos relatos de um e de outro o resultado é de mortes e destruição de milhões de vítimas