As mulheres de Atenas e a mulher virtuosa

O incensado (e insensato) Chico Buarque de Holanda deu voz a uma música, composta por ele e por Augusto Boal em 1976, que retratava a vida das mulheres de Atenas (link e letra a seguir). Essa música, que orienta as mulheres a mirarem-se nos exemplos de submissas mulheres, sumiu das rádios e de qualquer lugar onde pode ser tocada sem ser buscada. O autor, ele mesmo um defensor das teses comunistas, jamais a cantaria novamente:

Mulheres de Atenas

https://youtu.be/jACu5KUWiXk

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas,
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas;
Quando amadas, se perfumam,
Se banham com leite, se arrumam,
Suas melenas.

Quando fustigadas não choram,
Se ajoelham, pedem, imploram,
Mais duras penas,
Cadenas.

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas,
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas,
Quando eles embarcam, soldados,
Elas tecem longos bordados,
Mil quarentenas;
E quando eles voltam sedentos,
Querem arrancar violentos,
Carícias plenas,
Obscenas.

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas,
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas.
Quando eles se entopem de vinho,
Costumam buscar o carinho,
De outras falenas.

Mas no fim da noite, aos pedaços.
Quase sempre voltam pros braços,
De suas pequenas Helenas…

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas,
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas,
Elas não têm gosto ou vontade,
Nem defeito, nem qualidade,
Têm medo apenas.
Não têm sonhos, só têm presságios,
O seu homem, mares, naufrágios.
Lindas sirenas, morenas.


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas,
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas,
As jovens viúvas marcadas,
E as gestantes abandonadas,
Não fazem cenas.
Vestem-se de negro, se encolhem,
Se conformam e se recolhem,
Às suas novenas, serenas.


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas,
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas.

Mas, mesmo no mundo “patriarcal”, antes que as “empoderadas” colocassem fogo em seus soutiens, foi criada, claro que sob inspiração divina, uma joia literária, transcrita no capítulo 31 do Livro de Provérbios, e que faria a mais empoderada feminista, se elas quisessem ou pudessem pensar, corar de inveja:

Uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que os rubis.
Seu marido tem plena confiança nela e nunca lhe falta coisa alguma.
Ela só lhe faz o bem, e nunca o mal, todos os dias da sua vida.
Escolhe a lã e o linho e com prazer trabalha com as mãos.
Como os navios mercantes, ela traz de longe as suas provisões.
Antes de clarear o dia ela se levanta, prepara comida para todos os de casa, e dá tarefas as suas servas.
Ela avalia um campo e o compra; com o que ganha planta uma vinha.
Entrega-se com vontade ao seu trabalho; seus braços são fortes e vigorosos.
Administra bem o seu comércio lucrativo, e a sua lâmpada fica acesa durante a noite.
Nas mãos segura o fuso e com os dedos pega a roca.
Acolhe os necessitados e estende as mãos aos pobres.
Não receia a neve por seus familiares, pois todos eles vestem agasalhos.
Faz cobertas para a sua cama; veste-se de linho fino e de púrpura.
Seu marido é respeitado na porta da cidade, onde toma assento entre as autoridades da sua terra.
Ela faz vestes de linho e as vende, e fornece cintos aos comerciantes.
Reveste-se de força e dignidade; sorri diante do futuro.
Fala com sabedoria e ensina com amor.
Cuida dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça.
Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo:
“Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera”.
A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada.
Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade.

Houve também, entre os hebreus, ainda na época em que seu líder era Moisés (o machista, segundo o pastor da TMI), um caso em que as filhas de determinado homem que não conseguiam receber sua herança. Esse relato está no livro de Números, capítulo 36, a seguir:

1 Os chefes de família do clã de Gileade, filho de Maquir, neto de Manassés, que pertenciam aos clãs dos descendentes de José, foram falar com Moisés e com os líderes, os chefes das famílias israelitas. 
2 E disseram: “Quando o Senhor ordenou ao meu senhor que, por sorteio, desse a terra como herança aos israelitas, ordenou que vocês dessem a herança de nosso irmão Zelofeade às suas filhas. 
3 Agora, suponham que elas se casem com homens de outras tribos israelitas; nesse caso a herança delas será tirada da herança dos nossos antepassados e acrescentada à herança da tribo com a qual se unirem pelo casamento. 
4 Quando chegar o ano do Jubileu para os israelitas, a herança delas será acrescentada à da tribo com a qual se unirem pelo casamento, e a propriedade delas será tirada da herança da tribo de nossos antepassados”.
5 Então, instruído pelo Senhor, Moisés deu esta ordem aos israelitas: “A tribo dos descendentes de José tem razão. 
6 É isto que o Senhor ordena quanto às filhas de Zelofeade: Elas poderão casar-se com quem lhes agradar, contanto que se casem dentro do clã da tribo de seu pai. 
7 Nenhuma herança em Israel poderá passar de uma tribo para outra, pois todos os israelitas manterão as terras das tribos que herdaram de seus antepassados. 
8 Toda filha que herdar terras em qualquer tribo israelita se casará com alguém do clã da tribo de seu pai, para que cada israelita possua a herança dos seus antepassados. 
9 Nenhuma herança poderá passar de uma tribo para outra, pois cada tribo israelita deverá manter as terras que herdou”.

Os machistas (segundo a visão do pastor da TMI) Deus e Moisés privilegiaram as herdeiras mulheres, cujo pai havia morrido e não tinha deixado nenhum descendente homem o que, segundo os outros parentes – por motivos patrimoniais -, faria com que elas perdessem a herança, porém os “machistas” fizeram com que a justiça prevalecesse.

Mas não bastava, nos modernos tempos, exaltar a mulher, o plano tinha que ser mais abrangente e, então, feminizar os homens. Gilberto Gil com o seu “Super Homem, a Canção” e Pepeu Gomes com o seu “Masculino e Feminino” quiseram dizer que o homem tinha que ser, também, feminino. O “universo masculino não bastaria e não daria tudo” e “Deus é menino e menina, então o homem deve ser masculino e feminino”. Começava a criação de homens, frágeis, submissos e frouxos, prontos para serem pisados pela ideologia, pelo movimento e pelos globalistas (financiadores e beneficiários diretos, agora e no futuro, de toda a idiotice mundial).

Em contrapartida, as músicas pós-movimento feminista, não exaltam a figura feminina, mas, a pretexto de empoderar as mulheres, grunhem (não cantam) frases como “Vai malandra… brincando com o bumbum… descer, quicar até o chão“, “Sabe aquelas minas cachorra, piranha, sapeca… põem no pelo e goza nela… então cancela as moças de família certa… minha meta na favela é só pegar mina perversa… que eu sou adestrador de cadela...”, “Chama sua amiga de nojenta… logo você que chupa onde ela senta… depois de amanhã é você que vai sentar…“, “Cachorra chapa quente…“, “… cospe na minha cara, me esculacha e vem por cima! Puxa meu cabelo, me chama de bandida, me mete a porrada, diz que eu sou piranha“. E sempre ladeira abaixo, ou seja, quando você acha que chegaram no fundo do poço, sempre tem alguém a navegar no subsolo do fundo do poço com mais falta de respeito com as mulheres, empoderadas ou não.

Compare a letra da música do Toquinho e Vinícius, e o texto bíblico sobre a Mulher Virtuosa, com as letras das músicas e textos de hoje sobre a mulher. Não há termo de comparação. Vai da exaltação em uma, ao total desrespeito à figura da mulher nas outras. Esse movimento veio para quê mesmo? Para empoderar? Se “empoderar” for isso que as músicas e os comportamentos mostram, melhor a versão anterior, que exaltava a figura feminina e não a jogava na vala da vulgaridade.

É claro que antes havia, como ainda há, homens que as maltratam, que as agridem, mas não é esse movimento esquerdopata nojento, que a pretexto de lutar pelos direitos das mulheres as desrespeitam e vilipendiam, que vai conquistar algo além daquilo que elas já não têm desde sua criação por Deus.

Hoje, como resultado desse movimento, podemos observar parte das supostas empoderadas fazendo a seus maridos o que elas reclamavam que os homens de outrora faziam com as mulheres, ou seja, pisando, desrespeitando, fazendo passar vergonha. Quem observa consegue chegar a essa conclusão.

Se cada um de nós fizer a comparação de músicas e textos anteriores a qualquer um desses movimentos (contra os supostos opressores), certamente o resultado da comparação será o mesmo, com respeito, antes; e desrespeito, depois. Porque essa ideologia, assim como seu “inspirador” e chefe supremo (Satanás), “veio para matar, roubar e destruir”.

Como última observação: os juízos de Deus sobre o Satanás, a mulher e o homem foram dados no capítulo 3 de Gênesis. Não gostou? Argumente com Deus (se é que realmente acredita nele e o considera SENHOR absoluto).

2020-10-10 – Texto de Sergio de Souza

Referências (além das já citadas no texto):

 

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